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Gritos & Sussurros
José Daniel



20/08/2005 14:49

O Brasil agoniza




Jornais, como a Folha de S.Paulo, não param de mostrar os escândalos envolvendo o governo de Lula. O mais recente é o caso do minsitro Antonio Pallocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto, condenado pela Justiça pelo uso irregular do dinheiro público daquela Prefeitura.



As denúncias não param de surgir. A cada dia fatos novos surgem e nada de Lula renunciar ou sofrer impedimento para continuar mais no comando do país. Enquanto isso, todo o Brasil agoniza sem haver uma reação popular. Lembre-se que por menos que o PT está cometendo em termos de corrupção, Fernando Collor de Melo quase foi linchado publicamente.

Lula não tem mais onde enfiar a cara. Torna-se evidente, a cada denúncia, que ele está envolvido até a cabeça no mar de lama podre que se abate sobre o Brasil, de Norte a Sul. Ele atualmente vive duas faces psicológicas. A primeira diz para ele mesmo continuar no cargo, a outra o acusa da baderna cometida por seus comparsas.

Por mais que admita que foi traído e que nada tem a ver com as ondas de desvios do dinheiro público, Lula no mínimo deve assumir a condição de responsável pelos atos cometidos por seus ‘companheiros’, pois eles estavam em cargos estratégicos e de inteira confiança do presidente. Não admitir isso é enganar a si mesmo.

Se a população não reage com força, não vai às ruas e não mostra seu desencanto com os escândalos, então, ao menos caberia as instituições democráticas se imporem e dentro da lei convidar Lula para se afastar e responder judicialmente pelos crimes que ora esteja sendo acusado. Uma coisa é haver corrupção, outra coisa é aceitar passivamente que os acusados administrem o país como se nada tivesse acontecendo.

No entanto, dá muito bem para entender o porquê desta falta de reação das instituições. E que todas, muito provavelmente, não estão com moral para escorraçar Lula e todo o seu bando do Palácio do Planalto. Nos últimos tempos, tanto o Judiciário como o Congresso Nacional também se encontram envoltos em ações espúrias e comportamentos fraudulentos. É lógico que nesta montanha de lama de corrupções existem pessoas decentes, uma minoria, certamente. Mas estes nada podem fazer, pois se encontram de mãos atadas. As Forças Armadas, que no passado não perdiam uma oportunidade como esta para tomarem o poder, estão fragilizadas e sem mais o sentido de ideal de defesa do bem estar do país.

Diante deste quadro, o país, em tese, teria duas saídas evidentes e naturais. A primeira é o povo ir às ruas e pedir a renuncia de Lula, reformulação do Congresso e exigir novas eleições. A segunda, a menos provável, é a comoção pública, uma revolução para dar início a um novo país.
Antes que digam que eu esteja fazendo apologia para uma revolta, analiso que estes sejam os caminhos naturais, situações que acontecem naturalmente em países da América do Sul, como ocorreram recentemente no Peru, Equador, Venezuela e até mesmo na Argentina.

Uma coisa é certa, ficar como está é que não se pode. Se há penalidade para quem rouba um saco de arroz para matar a fome, muito severo deve ser para quem rouba o dinheiro público de um povo. Não se trata de moralismo, mas de atitude. Está mais do que na hora dos homens públicos serem severamente penalizados por seus atos desonestos.

Lula passou boa parte de sua vida insitando o povo brasileiro para este tipo de ação. Agora que ele passou de atirador de vidraças alheias, deve ser a vidraça. Vamos ver no que vai dar.

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19/08/2005 12:54

A hora do iguana





Foi com este título que Tarso Genro, ex-ministro da Educação e atual presidente provisório do PT, escreveu artigo para a Folha de S.Paulo, cuja data não me lembro, mas foi durante o segundo mandato de FHC. À época, Genro, com base no filme ‘A noite do iguana’, estrelado por Richard Burton, fazia alusão à forma com que FHC havia obtido a reeleição, sustentando a tese de responsabilidade ao ex-presidente por este amparar um grupo fora da lei, que, segundo o petista, controla as finanças do Estado e subordina o trabalho e o capital do país ao enriquecimento ilícito de uns poucos. “Alguns bancos lucraram em janeiro (evidentemente, por ter informações privilegiadas) US$ 40 bilhões das reservas para preservação do ‘populismo cambial’. Crime contra o país, contra a nação, contra a estabilidade política da sociedade. E a responsabilidade de tudo isso é do presidente”, exclamou, Genro, fortemente em seu artigo.

Na época achei muito oportuno o artigo, tanto que guardei seu recorte com o objetivo de refletir mais tarde sobre tudo o que acontecia no país naquele momento.

Na minha visão, entendo que não há nenhuma diferença dos ‘arroubos’ cometidos tanto por FHC como por Lula em suas respectivas administrações. Confesso que esperava mais incompetência de Lula para governar o país do que FHC. Não passava pela minha cabeça, no entanto, que Lula, com seus lacaios, fosse superar FHC no quesito corrupção.

As acusações de Genro em seu artigo acabam sendo fichinhas em relação as que estão surgindo pelo seu partido à frente da administração do país. De atirador de pedras em vidraças alheias, Genro acabou se tornando bombeiro na vã tentativa de minimizar o impacto que os lacaios de Lula deixaram o partido, assim como os cofres públicos do país.

O que me deixa estarrecido é o fato de Genro não ter tido a coragem (o que sobrou para a filha Luciana, deputada federal, ainda bem) de denunciar os desmandos que seus ‘companheiros’ promoveram com o dinheiro público. Fato que ele mesmo já admitiu, agora como presidente do partido. É fato corrente dentro do petismo que sempre existiram duas forças opostas: os ‘trotskistas’, considerados conservadores, e os liberais, comandados por Zé Dirceu e Zé Genoíno, na disputa pelo comando da sigla. Ou seja, a turma dos intelectuais contra os guerrilheiros, assaltantes de bancos e seqüestradores. No entanto, para ganhar as eleições um pacto foi firmado entre as duas forças para fazer Lula chegar ao Palácio do Planalto. Missão cumprida.

A turma dos liberais brincou de assaltar os cofres públicos, o que fez com maestria até quando resolveram, gananciosos, roubar o sorvetinho de Roberto Jefferson, quando a coisa veio a público. Se não fosse por isso, tudo ainda seria de muita alegria às custas do dinheiro do povo brasileiro. Enquanto isso, a turma dos intelectuais dava uma de que nada acontecia em torno deles. Igualmente o presidente, que na certa sabia das peraltices, mas lembrava dos momentos de escassez que os ‘meninos companheiros’ passaram nos anos 60 e 70. Afinal, que mal eles estão fazendo ao brincarem com as desgraças alheias?

Ainda em seu artigo, Genro enfatizou o seguinte: “Será que não é hora de anunciar que temos um presidente cada vez mais ilegítimo, um governo cada vez mais ilegal? Será que não basta de FHC?”.

Caro Tarso Genro, como diz o ditado, o tiro sai sempre pela culatra. Também te pergunto: Será que não é hora de anunciar que temos um presidente cada vez mais ilegítimo, um governo cada vez mais ilegal? Lula fora já! Assim como você e todo o bando de lacaios do PT. Vou mais longe: extinção já ao PT. Vamos apagar da história que um dia houve um partido como este. Além de cadeia para todos que surrupiaram o dinheiro público.

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16/08/2005 11:28

Uma estrela se definha




O PT não traiu somente suas propostas de ideais, mas todos os eleitores que depositaram nele a confiança de dar um novo enfoque ao país, assim que chegou ao poder. Até os que não votaram e mesmo os mais aguerridos adversários também se encontram surpresos com as intermináveis notícias de corrupção em todas as redes de governos do país: de uma minúscula prefeitura do interior ao governo estadual, até mesmo nos parlamentos e instituições privadas.

Até os mais conservadores integrantes do partido, como Plínio de Arruda Sampaio, estão horrorizados com o que está acontecendo no maior partido de esquerda, em tese, do Brasil.

A mim nada tem me surpreendido a não ser o volume de fatos. Quando o PT conseguiu eleger a primeira prefeita do país, em Fortaleza, com Maria Luíza Fontenelle, e começaram a pipocar uma série de denuncias e fraudes naquela administração, as quais ficaram maciçamente comprovadas pelo turbilhão de notícias, naquele momento ficou caracterizado o prenuncio do que seria o futuro do partido.

Porque digo assim. Naquele momento se o partido tivesse tomado decisões firmes e coerentes com sua ética e de forma imediata, muito provavelmente, teria coibido outros tipos de práticas que se sucederam ao longo dos anos.

De lá para cá, os ‘caciques’ do partido, entre os quais José Genoíno, José Dirceu e Lula, foram coniventes com umas séries de irregularidades que tomaram conta do partido ao longo dos anos. Hoje se percebe porque a necessidade da conivência. Uma grande rede de desvio de dinheiro para o exterior, os quais, muito provavelmente, obtido ilicitamente, serviu para montar a estratégia do partido de tentar se perpetuar no poder.

Com tudo isso se desmoronando, fico imaginando aqui com meus pensamentos tristonhos do tempo perdido em intermináveis horas de reuniões para elaborar estratégias, idéias e participações em passeatas de protestos, elaboração de greves, agitar as classes para lutar por seus direitos, arregimentar trabalhadores e idealistas em torno de uma nova proposta inédita em que o trabalhador, no futuro, iria governar o país. Além disso, quantas vezes tínhamo-nos que se esconder da polícia do sistema militar.

Me pergunto: de que adiantou tudo isso se tínhamos uma estrela que brilhava em toda a América e hoje se definha? A sensação que se tem é que fomos utilizados por esta corja apenas para atender os interesses promíscuos. Gentinha da pior espécie.

Se perseguíamos Maluf e tantos políticos pelos seus desmandos, temos que ter a nobreza de perdoar a estes, já que tínhamos do nosso lado uma corja que soube ser pior que eles. O presidente Fernando Collor, que foi cassado ilegalmente e ganhou, recentemente, este reparo na Justiça, merece o perdão de todos os petistas honestos, pois, os nossos ‘companheiros’ souberam ser piores do que ele, se realmente cabe alguma culpa a ele.

Até Fidel Casto está surpreso com a avalanche de denuncias na esquerda brasileira. Teria ele coragem de dar guarida para José Dirceu, José Genoíno, Lula e demais lacaios caso a Justiça seja implacável com eles? Espero que o comandante da Ilha seja autentico e não quebre o protocolo ético do socialismo.

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15/08/2005 16:28
Enfim, duas mulheres venceram Lula e o PT



HELOÍSA HELENA: a coragem de uma mulher em não abaixar a cabeça



Tudo o que está acontecendo na política brasileira e principalmente sobre a ruína de Lula e do PT deve-se, em tese, a uma mulher ‘cabra-macho’ de fato, uma nordestina sofrida e espezinhada pelo machismo brasileiro e pelo puro preconceito social do povo deste país. Esta mulher, até então, tida como uma das principais armaduras de Lula na posse, tornou-se a maior dor de cabeça não só do presidente como de todo o PT.
Seu nome: senadora Heloísa Helena.

Na verdade são duas mulheres, sendo a outra, a gaúcha deputada Luciana Genro. Por quê? Simplesmente porque de início, nas primeiras escorregadas de Lula, elas mostraram que quebra de conduta ética estava sendo cometida tanto pelo presidente como pelo partido. Seus alaridos perturbaram aos lacaios de Lula tanto que resolveram expulsa-las da sigla, atribuindo a elas quebras de conduta ética. Com Heloísa Helena e Luciana Genro fora, abriu-se o caminho para atacar o tesouro nacional.

Mas elas não ficaram intimidadas. Heloísa, tida até como traidora pelo parlamentares conservadores, ergueu a cabeça e ficou aguardando o desfecho que todos nós hoje temos conhecimento. No PT, depois da chegada da dupla Marta e Mogadon Suplicy e tantos outros ‘intelectuais’ tornou-se insuportável falar a verdade, andar diante da luz. O partido deixou de ser dos trabalhadores realmente explorados para fazer parte de uma cúpula de intelectuais, onde Lula regia como o único e autentico líder dos trabalhadores. Ledo engano.

Apesar de ter sido petista, particularmente não conheço a trajetória política de Heloísa Helena, assim como da deputada Luciana Genro. Desta, só sabia que era filha de Tarso Genro. Quando morei no Rio Grande do Sul, tive uma única vez contato com Luciana, em Passo Fundo. Só isso. Só fiquei sabendo das suas qualidades quando bateu de frente com seu pai e com todo o petismo gaúcho ao denunciar os erros graves que o partido estava cometendo, principalmente com relação à liberação dos transgênicos. A partir daí, Luciana passou a ganhar meu conceito e creio que de todas as mulheres que realmente lutam por justiça e uma destinação melhor para este país.

Sobre a senadora Heloísa só passei a ter informações sobre ela por fazer parte de um minúsculo mundo de mulheres no Senado Federal, onde estão as cabeças que movem os ‘interesses promíscuo’ das classes elevadas. Temia, confesso, que Heloisa estivesse ali como enfeite e herdeira dos desastres causados por Luiza Fontenelle, quando foi eleita a primeira prefeita petista do país, em Fortaleza. Ainda bem que não.

Entendo que graças a estas duas mulheres, mais um esquema de falcatruas foi levado a público. E isso ocorreu também, graças, a um homem astuto e collorista de quatro costados: Roberto Jefferson. Se não fosse aquela gravação no Correios, certamente, tudo estaria envolto e passaria como tantos outros descalabros passaram pela história do Brasil e foram colocados debaixo do tapete. Haja sujeira acumulada.

[José Daniel]




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14/08/2005 16:49

Paulo Francis tinha razão




Paulo Francis: "O que Lula é que Lula tem com o Brasil? Nada"



“Lula arruinaria o país, nos transformaria em Sudão, numa grande bosta”, foi o que disse Paulo Francis, na edição da Folha de S.Paulo do dia 23 de novembro de 1989, em sua coluna de página inteiro do caderno Ilustrada. Há 16 anos, este jornalista já morto, previa que caso Lula chegasse ao poder, ainda no tempo de Collor, deixaria o Brasil lá embaixo. “Lula... é uma besta quadrada. Não sabe do que está falando”, endossou.

Na época, quando li este artigo, cuja página ainda guardo em minha coleção, fiquei ‘p’ da vida, pois era trotskista convicto, esquerdista de carteirinha e petista acima de tudo, menos lulista. Apesar disso não gostei daquele ataque brutal ao Lula, mesmo não tendo aderido as suas propostas políticas. No entanto, entendia que, naquele momento, Lula seria o único nome da esquerda a enfrentar Collor e com possibilidade de dar uma nova roupagem para a política brasileira e até mesmo da América Latina. Fiquei furioso com a nota e não entendi como Francis, trotskista de formação, praticamente trucidava a esquerda brasileira, taxando-a de incompetente e sem qualificação para assumir qualquer posição de destaque no cenário da política do país. Mais adiante ele deu outra cacetada mais dura ainda: “Lula começou como deveria ter terminado, líder sindical de metalúrgicos, tentando obter melhores condições de trabalho para seus comandados”.

Mesmo tendo odiado estes e outros ataques mais agressivos de Francis sobre Lula e a esquerda brasileira, não deixava de lê-lo, pois para ele era o que havia de melhor no jornalismo brasileiro naqueles idos finais da década de 80.

Além disso, nos dias atuais, sou obrigado a concordar que Francis realmente tinha razão. Nós, esquerdistas, jamais fomos capazes de nos organismos para um dia sermos ou estar no poder. Nem mesmo tivemos capacidades de organizarmos nossas idéias e estruturamos nossos partidos. Certamente tinha que dar no que deu. Antes mesmo de Lula chegar ao Planalto, FHC, em fim de mandato, já dizia que a esquerda no Brasil era coisa extinta. Também tinha razão o ex-presidente.

A lição que fica, com esta triste passagem de Lula à presidência da República é que estamos sem pai e sem mãe, como há muito já vinha acontecendo, desde o esfacelamento do MDB, da venda do PCB a Roberto Marinho por Roberto Freire, da elitização do PCdoB logo após a morte de João Amazonas. O que sobrou de esquerda, se é o que podemos ousar falar, é o PSol, da senadora Heloísa Helena, a maior vitoriosa da queda do PT e do regime Lula e seus lacaios.

Ela sim é quem soube realmente fazer oposição, desligando-se do PT ainda nos primeiros meses do governo Lula, denunciando bravamente a farsa e os desmandos do partido. Ela merece todos os louros e deve ser dignificada pela sua ousadia e coragem de fazer frente a um governo que nos meses seguintes viria a ser naufragado em verdadeiro mar de lama de fazer inveja a Maluf, Collor e a todos aqueles que foram pesadamente perseguidos pelo PT.

[José Daniel]

José Daniel | comentários(0)

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